Daniel Melo: Mamãe agora quero ser Prefeito… Acho que não!

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Coluna de Daniel MELO [TV SBUNA]

Por Daniel Melo

Vale a pena ser prefeito? A pergunta que fiz, faço-me toda vez que brinco com amigos dizendo que um dia gostaria de ser prefeito da minha cidade. Mas quando vejo o que a atual crise financeira do nosso país e o quanto meu município, representado pela batalha da prefeita Débora Almeida (PSB), tem sofrido com a desoneração de impostos como IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e IR (Imposto de Renda), por exemplo, me faz mudar de ideia. Prefiro continuar contribuindo com o crescimento da minha cidade de outra forma. E assim espero.

Mas você que lê esse texto deve tá se perguntando: o que a redução desses impostos, que tanto me ajudaram a comprar meu carro novo e minha geladeira tem a ver com a crise? Vamos entender então: Pequenos municípios como São Bento do Una vivem basicamente do repasse do Fundo de Participação dos Municípios, mais conhecido por FPM. Esse fundo garante aos municípios o repasses dividido em três parcelas: uma no início, uma no meio e outro no fim de cada mês. Despesas como folha de pagamento dos funcionários, aquisições de veículos e insumos diversos dependem exclusivamente desse repasse que vem sendo reduzido a cada mês. De acordo com dados do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), São Bento do Una deixou de receber R$ 14.827.936,63 (catorze milhões, oitocentos e vinte e sete mil, novecentos e trinta e seis reais e sessenta e três centavos) do início da gestão da Prefeita Débora Almeida até o final de 2014. Mas se for considerada o início da crise que vem desde 2008, nosso município deixou de receber a impressionante quantia de R$ 40.083.497,63 (quarenta milhões, oitenta e três mil, quatrocentos e noventa e sete reais e sessenta e três centavos) também até 2014.

Mas a queda livre dos repasses continua. A primeira parcela do FPM de setembro de 2015 já virá com uma redução de 38%. Algo em torno de R$ 257.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais) a menos comparado com o mesmo período do ano passado, que já vinha sendo reduzido ano a ano. Com isso, os pagamentos dos fornecedores de produtos e serviços terceirizados, por exemplo, ficam prejudicados com a ausência desse montante.

Entenda melhor: Suponhamos que você, caro leitor, tivesse um salário mensal original de R$ 2.000,00 (Dois mil reais). Aí seu patrão avisa que vai retirar desse pagamento, faltando um dia pra você receber, R$ 200,00 (Duzentos reais), alegando em público (e não a você) que esta empresa está em crise (Sabidamente por todos que a crise foi provocada pelo seu patrão). Daí por diante sempre é retirado uma quantia considerável do seu salário. Como você faz pra honrar as despesas e dividas que contraiu? Arrumar outro emprego? Pois bem, é exatamente assim que acontece com São Bento do Una, com Pernambuco e com o Brasil atualmente. Infelizmente nosso município não tem como arrumar outra renda.

Dessa forma, eu pensei bem e decidi que, nem de brincadeira, quero mais ser prefeito. Não enquanto não tivermos um Governo Federal responsável. Que entenda que o cidadão vive nos municípios e que as emergências surgem para o Prefeito resolver. O cidadão comum não tem acesso ao gabinete presidencial. Onerar nossos municípios é tirar diretos dos cidadãos, que acabam culpando os prefeitos já que, a grande maioria não entende ou não tem acesso à informação.

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