Raquel Valença: Político é tudo igual?

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RAQUEL VALENÇAÉ mais cômodo para nós jogarmos preguiçosamente a nossa responsabilidade nessa frase: Político é tudo igual. Essa frase nos deixa livres para não nos darmos ao trabalho de sequer questioná-la.

Uma vez conversava com um amigo e ele disse que nós tínhamos o vício de falar de políticos mantendo um distanciamento, como se eles fossem ET’S. Pensando bem, precisamos refletir sobre essa verdade.

Políticos são tão pessoas, feitas de carne e osso, virtudes e defeitos quanto você e eu. Não nascem os corruptos cínicos que temos vontade de esganar quando os assistimos (ou não) no horário eleitoral gratuito prometendo muitas vezes o possível, o impossível e o inexistente.

Político tem mãe (coitada), infância, juventude, interesses, sonhos, às vezes profissão, sentimentos.

Será mesmo que são todos iguais? Será mesmo que o sistema é capaz de corromper a todos sem exceção? Não existe mesmo esperança para a democracia e já que são todos iguais, não faz nenhum sentido votar e escolher quem deve nos representar?

Recentemente vi uma postagem de uma amiga perplexa e indignada onde um vídeo de um caminhão tombado tinha os seus pneus saqueados pelos motoristas, que paravam e simplesmente levavam os pneus sem o menor constrangimento. Ela se perguntava se esses mesmos motoristas seriam “cidadãos de bem” indignados com a corrupção do país.

Precisamos de políticos melhores, concorda?

E de eleitores?

Lembra daqueles cem reais que o atual candidato a vereador lhe deu pra ajudar no churrasco no níver da sua filha? Dos sacos de cimento pra sua cisterna?

Pois bem, o candidato de hoje, amanhã quando for eleito, também vai lembrar. Não reclame se ele estiver passeando por aí pelos próximos quatro anos e voltar somente na próxima eleição, pra ajudar no churrasco da outra filha e comprar o cimento pra cisterna do seu genro ou seu irmão.

Não reclame, se por exemplo, achar que os gastos do executivo não estiverem sendo bem fiscalizados. Seu voto está pago e você perdeu o seu direito de cobrar.

Eu continuo tendo esperança que um dia o voto deixará de ser instrumento de barganha nas cidades pequenas, especialmente. Sonho, sinceramente com o dia que for verdadeiramente livre. Quando for fruto de uma escolha consciente.

 

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